
A Reforma Tributária saiu definitivamente do campo teórico e começou a impactar o dia a dia das empresas. A partir deste mês, empresas fora do Simples Nacional passaram a destacar CBS (0,9%) e IBS (0,1%) nas notas fiscais. Ainda que os percentuais sejam reduzidos, o movimento marca o início oficial da chamada Era do IVA no Brasil.
Portanto, não se trata de aumento imediato de carga tributária. Trata-se de uma fase de testes, cujo objetivo é preparar sistemas, empresas e o próprio Fisco para a transição completa que ocorrerá ao longo de 2026. Consequentemente, entender o que muda na emissão de notas fiscais deixou de ser um tema técnico restrito à contabilidade e passou a ser uma necessidade prática para empresários, gestores financeiros e áreas comerciais.
O que significa a "fase de testes" do CBS e do IBS
A inclusão do CBS e do IBS nas notas fiscais faz parte de um período de transição assistida da Reforma Tributária. Nessa etapa, os novos tributos ainda não substituem integralmente ICMS, ISS, PIS e Cofins, mas passam a conviver com eles de forma controlada. Assim sendo, o objetivo principal é testar sistemas emissores de nota, ajustar layouts fiscais, validar integrações com o Fisco e preparar empresas para a lógica do IVA. Portanto, mesmo com alíquotas simbólicas, o impacto operacional é real.
Quem está obrigado a destacar CBS e IBS nas notas
Nesta fase inicial, a obrigação alcança empresas que não estão no Simples Nacional. Isso inclui lucro presumido, Lucro Real, empresas prestadoras de serviço, comércio e indústria. Já as empresas optantes pelo Simples Nacional permanecem fora dessa etapa de testes, ao menos por enquanto. Entretanto, isso não significa que o Simples ficará imune às mudanças futuras.
Por que o destaque na nota é tão importante
O destaque do CBS e do IBS na nota fiscal é fundamental porque inaugura uma nova lógica de tributação baseada no IVA (Imposto sobre Valor Agregado). Nesse modelo, todo imposto pago gera crédito, o destaque na nota é essencial para o aproveitamento e a rastreabilidade passa a ser total. Portanto, erros na emissão da nota podem comprometer créditos, gerar inconsistências e criar problemas futuros.
O que muda, na prática, na emissão das notas fiscais
Embora muitos empresários imaginem que a mudança seja apenas "mais um campo na nota", a realidade é mais ampla. A emissão passa a exigir atualização de sistemas emissores, revisão de cadastros de produtos e serviços, correta parametrização tributária e alinhamento com a contabilidade. Além disso, a nota passa a carregar informações que serão usadas futuramente para crédito, compensação e fiscalização.
CBS e IBS: por que existem dois tributos
Uma dúvida comum é por que a Reforma Tributária criou dois tributos em vez de um único IVA. De forma simplificada: CBS é federal e substitui PIS e Cofins; IBS é compartilhado entre estados e municípios e substitui ICMS e ISS. Embora distintos, ambos seguem a mesma lógica operacional. Portanto, para a empresa, o impacto prático tende a ser semelhante.
A convivência entre o sistema antigo e o novo
Durante 2026, empresas precisarão conviver com tributos antigos ainda em vigor, CBS e IBS em fase de implementação e regras transitórias. Isso significa maior complexidade temporária. Consequentemente, empresas que não se organizarem tendem a enfrentar erros de apuração, retrabalho e inconsistências fiscais. Por isso, a fase de testes deve ser encarada como oportunidade de aprendizado.
Exemplo prático de emissão de nota em 2026
Imagine uma empresa de serviços no Lucro Presumido que emite uma nota de R$ 10.000,00. Além de ISS, PIS e Cofins, ela passa a destacar CBS de 0,9% e IBS de 0,1%. Embora esses valores não substituam imediatamente os tributos atuais, eles já entram no radar do Fisco e dos sistemas de controle. Portanto, a empresa precisa garantir que o destaque esteja correto, o sistema esteja atualizado e a escrituração reflita a nota.
O maior erro das empresas nessa fase inicial
O erro mais comum é tratar essa fase como algo "sem importância", por conta das alíquotas reduzidas. Entretanto, a Receita Federal está usando esse período para mapear comportamentos, testar cruzamentos e identificar falhas sistêmicas. Assim sendo, erros repetidos agora podem se tornar problemas maiores no futuro.
Como as empresas devem se preparar desde já
Algumas ações práticas ajudam a reduzir riscos: revisar sistemas emissores de nota, conversar com fornecedores de software, alinhar financeiro e contabilidade, treinar equipes envolvidas na emissão e acompanhar comunicados oficiais. Dessa forma, a transição se torna mais previsível.
O papel da contabilidade estratégica na transição do IVA
Neste momento, a contabilidade deixa de ser apenas operacional e passa a atuar como gestora da transição tributária. Ela ajuda a interpretar regras transitórias, validar parametrizações, evitar erros de destaque e orientar ajustes de processo. Consequentemente, empresas que contam com orientação adequada ganham vantagem competitiva.
O que esperar dos próximos meses
A tendência é que os percentuais evoluam, as regras se consolidem, o destaque se torne obrigatório de forma plena e os créditos passem a ser mais relevantes. Portanto, 2026 deve ser encarado como o ano da adaptação, não da improvisação.
Conclusão: a fase de testes é o começo da mudança real
O destaque do CBS e do IBS nas notas fiscais marca oficialmente o início da Era IVA no Brasil. Embora os impactos financeiros imediatos sejam pequenos, os impactos operacionais e estratégicos são significativos. Assim sendo, empresas que aproveitarem esse momento para se organizar estarão muito mais preparadas para a transição completa.

Sobre a autora
Helen Ribeiro
CEO ArtCont • Bacharel em Ciências Contábeis, especialista em recuperação de impostos e créditos tributários.
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