Durante muitos anos, o Lucro Presumido foi visto como o regime ideal para empresas médias que buscavam simplicidade, previsibilidade e menor custo de conformidade. No entanto, esse cenário mudou de forma objetiva com a Lei Complementar 224/2025.

A partir da nova regra, empresas com faturamento anual acima de R$ 5 milhões passaram a enfrentar aumento da base de presunção, criação de uma sobretaxa e elevação relevante da carga tributária efetiva. Consequentemente, o Lucro Presumido deixou de ser automaticamente vantajoso para uma grande parcela das empresas. Em muitos casos, o Lucro Real passou de vilão a solução.

O que mudou com a LC 224/2025

A LC 224/2025 alterou de forma direta a lógica do Lucro Presumido para empresas de maior faturamento. O objetivo do legislador foi claro: reduzir a diferença de carga entre Presumido e Real para negócios mais robustos. Na prática, isso se traduziu em aumento da base de presunção para determinados setores, aplicação de sobretaxa para faturamentos elevados e redução da vantagem histórica do regime. Assim sendo, empresas que antes pagavam imposto sobre uma margem presumida confortável passaram a sentir o impacto no caixa.

Por que o Lucro Presumido ficou mais caro

O Lucro Presumido funciona a partir de percentuais fixos aplicados sobre a receita bruta. Com a nova lei, essa margem foi ampliada para empresas acima de R$ 5 milhões, a tributação passou a desconsiderar a eficiência operacional e empresas com margem real menor passaram a pagar mais imposto. Portanto, negócios eficientes, com custos elevados ou margens comprimidas, passaram a ser penalizados.

Exemplo prático do impacto no caixa

Imagine uma empresa que fatura R$ 6 milhões por ano e opera com margem líquida real de 8%. No Lucro Presumido, o imposto incide sobre uma base maior que o lucro real e a nova sobretaxa amplia ainda mais essa diferença. No Lucro Real, o imposto incide sobre o lucro efetivo, despesas dedutíveis reduzem a base e prejuízos podem ser compensados. Nesse cenário, o Lucro Real passa a gerar economia tributária real, mesmo com maior complexidade.

O erro comum: continuar no Presumido por hábito

Muitas empresas permanecem no Lucro Presumido simplesmente porque "sempre foi assim". Entretanto, hábito não é estratégia tributária. Com as novas regras, insistir no Presumido pode gerar pagamento excessivo de impostos, perda de competitividade, redução de margem e impacto direto no crescimento. Portanto, a revisão deixou de ser opcional.

Por que o Lucro Real ganhou protagonismo em 2026

O Lucro Real sempre foi visto como complexo, burocrático e caro. Contudo, esse estigma não reflete mais a realidade para médias empresas. Em 2026, o Lucro Real passou a ser vantajoso porque tributa o lucro efetivo, permite dedução de despesas operacionais, possibilita compensação de prejuízos e reduz distorções em empresas eficientes. Assim sendo, empresas bem organizadas tendem a pagar menos imposto no Real do que no Presumido.

Quem deve avaliar a migração para o Lucro Real

A migração passou a ser especialmente relevante para empresas que faturam acima de R$ 5 milhões, possuem margem líquida abaixo da presunção legal, têm estrutura de custos relevante e investem em crescimento e expansão. Nesses casos, o Lucro Presumido deixou de refletir a realidade do negócio.

A falsa ideia de que o Lucro Real é sempre mais caro

O custo operacional do Lucro Real é maior, mas isso não significa custo tributário maior. Na prática, o aumento de compliance pode ser compensado pela economia fiscal, sistemas e processos reduziram a complexidade, e o planejamento se tornou mais previsível. Portanto, a análise deve considerar carga total, não apenas esforço operacional.

O risco de não revisar o regime tributário

Empresas que não revisam seu enquadramento correm o risco de pagar imposto desnecessário por anos, perder margem sem perceber e tomar decisões de preço equivocadas. Além disso, a mudança de regime feita às pressas costuma ser menos eficiente.

Planejamento tributário deixou de ser opcional

Com a LC 224/2025, o planejamento tributário deixou de ser uma vantagem competitiva e passou a ser obrigação de gestão. Revisar o regime correto envolve simulação comparativa, análise de custos, projeção de crescimento e avaliação de riscos. Assim sendo, a decisão precisa ser técnica e personalizada.

O papel da contabilidade consultiva nesse cenário

Neste novo ambiente, a contabilidade não pode ser apenas operacional. Ela precisa interpretar a legislação, simular cenários Presumido x Real, orientar decisões estratégicas e acompanhar a execução. Consequentemente, empresas bem assessoradas ganham previsibilidade e controle.

Conclusão: o Lucro Presumido não acabou, mas deixou de ser padrão

O Lucro Presumido continua existindo, mas deixou de ser a escolha automática para médias empresas. Com o aumento da carga para faturamentos acima de R$ 5 milhões, o Lucro Real passou a fazer mais sentido em muitos casos. Portanto, a pergunta não é mais "qual regime é mais simples", mas sim qual regime reflete melhor a realidade do seu negócio.