
O PLP 60/2025 colocou o MEI novamente no centro do debate. A proposta de elevar o limite de faturamento anual para R$ 140 mil reacendeu a esperança de milhares de microempreendedores que estão próximos de estourar o teto atual.
Entretanto, a pergunta mais importante não é apenas se o limite vai subir. A pergunta certa é: vale a pena continuar como MEI com o novo teto ou migrar para ME? Portanto, este artigo foi pensado para ajudar você a decidir com base em números, obrigações e riscos, e não apenas em manchetes.
O que é o Super MEI previsto no PLP 60/2025
O chamado "Super MEI" não cria uma nova categoria formal, mas propõe aumento do limite anual para R$ 140 mil, manutenção da estrutura simplificada e possível ajuste na contribuição mensal. Assim sendo, a ideia é permitir que negócios em crescimento permaneçam mais tempo no regime simplificado. Contudo, aumento de limite não significa ausência de impacto.
Por que o limite atual do MEI se tornou um problema
Hoje, o limite anual do MEI é de R$ 81.000,00. Na prática, isso gera travamento artificial de crescimento, fracionamento de faturamento, informalidade disfarçada e medo constante de desenquadramento. Consequentemente, muitos negócios ficam estagnados por receio de migrar para regimes mais complexos.
O que muda na prática com o limite de R$ 140 mil
Com o novo teto, o MEI poderia faturar em média R$ 11.666,00 por mês. Isso amplia o fôlego de quem presta serviços, vende produtos de maior valor ou tem sazonalidade. Porém, faturar mais também significa mais movimentação financeira, maior visibilidade fiscal e maior risco se a estrutura não acompanhar. Portanto, o benefício não é automático.
Comparativo prático: MEI x ME com faturamento até R$ 140 mil
Tributação - MEI: valor fixo mensal (DAS), imposto não cresce com o faturamento, simplicidade extrema. Tributação - ME (Simples Nacional): imposto proporcional ao faturamento, alíquotas iniciais mais baixas em alguns anexos, maior previsibilidade de crescimento. Em muitos casos, a diferença real de imposto é menor do que se imagina. Limites operacionais - MEI: apenas um funcionário, atividades restritas, sem sócios. ME: pode ter mais funcionários, pode ter sócios, maior liberdade de atividade. Credibilidade: Empresas enquadradas como ME têm mais facilidade para vender para outras empresas, participam de contratos maiores e transmitem mais profissionalismo.
O risco oculto de permanecer MEI com faturamento alto
Mesmo com o novo teto, permanecer como MEI exige atenção redobrada. Isso porque movimentação financeira cresce, cruzamento de dados se intensifica e incoerências ficam mais evidentes. Além disso, erros comuns como uso excessivo de conta pessoal, ausência de controle financeiro e falta de separação patrimonial passam a gerar mais risco conforme o faturamento aumenta.
Quando continuar como MEI pode fazer sentido
Continuar como MEI pode ser adequado se o faturamento está próximo mas não no limite máximo, a operação é simples, não há planos de contratação ou sociedade e o negócio ainda está em fase de validação. Nesses casos, o Super MEI pode funcionar como etapa intermediária.
Quando migrar para ME é a decisão mais inteligente
Migrar para ME costuma ser mais vantajoso quando o faturamento cresce de forma consistente, há intenção de contratar mais pessoas, existe demanda B2B e o negócio precisa escalar. Além disso, a migração antecipada evita decisões apressadas e multas futuras.
O erro comum: decidir apenas pelo imposto
Um erro recorrente é tomar a decisão olhando apenas o valor do imposto mensal. Entretanto, o enquadramento tributário impacta crescimento, acesso a mercado, organização financeira e risco fiscal. Portanto, a decisão deve ser estratégica, não emocional.
O papel da contabilidade nessa escolha
Uma contabilidade consultiva ajuda a simular cenários MEI x ME, projetar crescimento, avaliar riscos e estruturar a migração no momento certo. Consequentemente, a escolha deixa de ser um salto no escuro.
Conclusão: o Super MEI ajuda, mas não resolve tudo
O aumento do limite do MEI para R$ 140 mil é positivo e necessário. No entanto, ele não elimina as limitações do regime. Assim sendo, para muitos negócios, o Super MEI será apenas uma ponte, não o destino final.

Sobre a autora
Helen Ribeiro
CEO ArtCont • Bacharel em Ciências Contábeis, especialista em recuperação de impostos e créditos tributários.
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